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Janelas abertas
Ferrari
31/08/2010

       Ter uma Ferrari. Sonho de consumo de muitas pessoas. O que significa isto? É uma perspectiva certa da vida? Realmente não sei. Mas utilizo muito essa palavra para definir certas situações.

       Ontem, comentando com um amigo os problemas na empresa que trabalha, fiz uso desta palavra: – Você, meu amigo, trabalha numa empresa que é uma Ferrari, mas anda a 10 quilômetros por hora. Muito potencial, mas poucos resultados. Olhando a minha volta posso ver muitos com uma Ferrari trafegando a uma velocidade para a qual não foram fabricadas. Motivos? Muitos e diferentes.

       Se olharmos a economia podemos observar que nosso país tem-se transformado numa Ferrari econômica, mas a infraestrutura que lhe dá apoio permite que ande a uma velocidade inferior a que é capaz. 

       Quando vemos certas pessoas que nasceram geneticamente abençoadas, social e economicamente privilegiadas, podemos considerar que são uma Ferrari humanas. Se observarmos seus desempenhos vemos que não aproveitam nada do potencial que possuem. Outras, no entanto, nasceram somente com uma bicicleta e conseguem andar pela vida a velocidades além da imaginação.

       Que é o que faz essa diferença? Por que alguns com tudo não conseguem viver de acordo aos seus potenciais? Por que outros com quase nada atingem o pináculo? Não sei, mas suspeito que a resposta esteja na vontade de aproveitar as oportunidades e a forma na qual encaramos a vida.

       Nestes momentos lembro-me da história que uma vez me contaram sobre dois filhos, um amado com loucura o outro desprezado pelo pai. O primeiro era um pessimista nato, o outro sempre encontrava algum aspecto positivo em qualquer situação. Um Natal o pai colocou na árvore uma caixinha para o primeiro e uma enorme caixa para o segundo. Na menor encontrava-se um chaveiro, com as chaves de uma Ferrari, na maior somente bosta de cavalo. O pai queria de esta maneira mostrar aos seus filhos o que sentia por cada um deles. Queria motivar ao preferido e desmotivar ao segundo. Conclusão, quando o preferido abriu sua caixinha começou a chorar porque o pai somente lhe tinha dado de presente um chaveiro e o outro saltava de alegria agradecendo ao pai pelo cavalo que tinha ganhado.

       A vida é uma escolha, podemos escolher ser o filho predileto ou o desprezado. Aquele que aproveita e agradece por aquilo que nos toca viver, com certeza terá uma vida melhor que aquele que vive reclamando. Na pior das situações sempre podemos encontrar algo de bom, até no fato de sonhar que ganhamos um cavalo. Pior é não ter aprendido a sonhar.

       Boa semana.

 
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