Domingo, uma das manchetes do jornal que normalmente leio dizia: “DINHEIRO GASTO NO D. MARTA DARIA UM IMÓVEL POR FAMÍLIA” A notícia, em si não tinha nada de extraordinário, mas chamou minha atenção o fato que o cálculo feito indicava um valor de R$ 84.000,00, o que daria para comprar um apartamento pequeno na Tijuca. Isto demonstra como uma sociedade rica (o Brasil é um dos países mais ricos do mundo) olha para seus pobres e como a parte da sociedade que usufrui da riqueza do país não tem idéia da realidade da outra parte da mesma comunidade. Tudo bem, de acordo ao jornalista seria muito mais simples comprar um apartamento para cada morador do D. Marta e erradicar uma comunidade pobre. Problema resolvido. NÃO. É justamente este tipo de raciocínio que evita a solução definitiva dos problemas sociais. Caso seja viabilizada a solução proposta pelo jornalista, nosso estado tem os recursos para fazê-lo e mais agora com os recursos do pré-sal, somente seria criado outro engodo, e talvez muito maior. Quem pagaria os condomínios, IPTU, seguro residencial obrigatório, taxa de incêndio, e outros ônus normais de qualquer proprietário? Com certeza não seriam as pessoas deslocadas do D. Marta para Tijuca, eles moram onde moram porque não ganham o suficiente para viver na Tijuca. Talvez para criar um jornalismo responsável, já que quem dá idéias através de um meio jornalístico que é lido por milhões de pessoas incluídos deputados, vereadores e autoridade em geral, deveria arcar com as conseqüência de suas sugestões. Imaginem que uma de nossas autoridades leia esta notícia e em época de eleições ache que é uma boa forma de ganhar votos. Logo teremos mais uma solução assistencial e não uma estrutural. Tenho a certeza que os vizinhos da Tijuca se sentiriam prejudicados por ter que pagar impostos e os transferidos do D. Marta não, a menos que o próprio jornalista fizesse o pagamento de todos os impostos e gravames do seu próprio bolso, ou talvez a autoridade que comprasse esta idéia. Proponho outra solução, que aos moradores do D. Marta lhes seja dada oportunidades de trabalho, assim como a de capacitação laboral para que possam exercê-lo, com salários dignos que lhes permita escolher onde morar, pagar seus impostos e cuidar do ambiente em que vivem. Muitas vezes devemos voltar aos princípios básicos para resolver os problemas: “É muito melhor ensinar a pescar, do que dar peixes a quem tem fome”. Mas, devemos aumentar um pouco esta frase adicionando, a parcela que falta: “...e um lugar para pescar onde haja peixes”. Entendo perfeitamente o cálculo matemático feito na notícia, mas devemos deixar de procurar soluções matemáticas quando falamos de pessoas. Os casos que problemas envolvem seres humanos há fatores como dignidade, amor próprio, auto-estima que devem ser levados em consideração. Acredito que todos gostariam de morar em coberturas na Viera Souto, ou frente a alguma praia, inclusive eu, mas existe um ônus social por culpa do estado que nos representa e mal administra nossos bens. O dia que todos compreendamos que a solução não é fazer caridade com o dinheiro comum (que também é dos moradores do D. Marta), mas sim usá-lo para dar igualdade de oportunidades a todos os membros da sociedade, sem nenhuma exclusão, teremos chegado ao início de uma verdadeira solução. Boa semana |